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Braga ataca Benfica e abre polémica

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O SC Braga já reagiu às críticas do Benfica ao calendário que se segue a esta paragem internacional. No momento, as competições nacionais param para seleções, mas a seguir a esta paragem, vem aí um mês louco de competição, especialmente para os clubes envolvidos em todas as provas, como são os casos de Benfica e SC Braga, no caso, os dois contestatários.

O Benfica insurgiu-se contra a calendarização da Liga portuguesa, demonstrando que a equipa estará parada para o campeonato quase um mês. Ou seja, a sétima jornada foi disputada no dia 28 de setembro e a 8ª será jogada no dia 26 de outubro, situação impensável na opinião do Benfica.

“É urgente repensar e alterar estas questões da calendarização. Não se trata somente da paragem prolongada – ainda mais se nos cingirmos ao Campeonato Nacional -, mas também da elevada concentração de jogos que se seguirá a esta paragem”, revelou o Benfica, diendo ainda que não é desta forma que estão salvaguardados os interesses do futebol nacional, apontando os casos especiais das equipas portuguesas envolvidas também nas competições europeias (Benfica, FC Porto, Sporting, Braga e Vitória de Guimarães).

Ora, o SC Braga leu este comunicado com atenção, concordou com tudo, mas lança um ataque feroz ao Benfica, acusando mesmo os campeões nacionais de serem dos maiores culpados para esta calendarização e que, a seu devido tempo, o Benfica não se opôs, contrariamente ao SC Braga, que terá avisado para esta situação, há vários meses.

Em comunicado, os bracarenses falam mesmo em discrepância entre quem escreve as newsletters do Benfica e os responsáveis que vão às reuniões e que nada teriam feito para salvaguardar os interesses. Acusações muito fortes do SC Braga, como se pode ler no comunicado:

“Um raio de luz desceu sobre o futebol português, iluminando a visão de alguns dos seus responsáveis sobre uma calendarização que agora se revela caótica e sobre a qual há conclusões taxativas e críticas lancinantes. O deserto onde o SC Braga vinha pregando há já largos meses termina afinal num oásis, onde até se saciam aqueles que juraram desta água nunca beber. É irónico que a Imprensa desta terça-feira dê eco do SL Benfica a rasgar as vestes contra o calendário, sobretudo por haver uma gritante falta de comunicação entre quem escreve as newsletters e quem representa o clube nas reuniões estratégicas e nas decisões em sede de Comissão Permanente de Calendários (CPC).

O SC Braga sabe que posições defendeu em tempo oportuno. O SC Braga tem documentados os alertas que lançou em abril, quando recebeu as propostas da Liga e da CPC para 2019/20. O SC Braga recorda a estratégia defendida pelo seu Presidente em reuniões com os congéneres e com os líderes da FPF e da Liga Portugal, correspondendo às reflexões que Fernando Gomes tem promovido para reformulação dos quadros competitivos. O SC Braga já há muito advogou, como hoje também reclama Carlos Carvalhal, que o “break” de dezembro é inoportuno e contrário aos interesses da indústria, tendo António Salvador deixado muito claro que o mesmo só se devia realizar após o dia 5 de janeiro.

A coerência é um valor importante. Fomos contra esta calendarização em abril, quando a mesma nos foi apresentada como um produto acabado pela Liga e pela CPC, e lançamos alertas muito concretos em agosto e em setembro, agora acolhidos por outros, manifestando também a necessidade de pensar a existência da Taça da Liga tal como a conhecemos, a criar vazios competitivos e a empurrar jornadas do campeonato para ciclos sobrelotados, tudo para que a menina dos olhos desta Liga possa ocupar fins de semana nos primeiros meses da época e condicione todo o mês de janeiro.

Tudo o que defendemos em setembro, aquando do inenarrável processo de marcação do jogo com o Boavista FC, é por nós reafirmado, cientes de que as dificuldades que esta calendarização impõe aos clubes serão ainda mais agudas durante os próximos meses e em particular no início de 2020, quando tudo se estiver a decidir e quando um pensamento estratégico (que não houve) se revelar fundamental para, à escala europeia, se perceber que países vão atingir os seus objetivos e que países vão definhar, condenados à sua endémica falta de visão.

Que seja a Taça da Liga o prego no caixão do futebol português é de uma ironia queirosiana, mas que da nossa parte não passará sem a devida denúncia: este estado de coisas é responsabilidade da Direção da Liga e dos clubes que a integram, mas é também o reflexo de um modelo de governação que o G15 já há denuncia dois anos como caduco, mas que Pedro Proença se recusa a reformar – contrariando o que prometera antes das eleições – e que ficará gravado na história como causa maior da nossa perda de competitividade”.

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